Émile Benveniste
Émile Benveniste é conhecido por suas contribuições à linguística estrutural, especialmente no que diz respeito à teoria do discurso e ao papel do sujeito na linguagem. Benveniste explora a função do "eu" na estrutura do discurso e como a linguagem não apenas reflete, mas também constrói a subjetividade. Para Benveniste, o "eu" é uma construção linguística que é constituída e entendida através da interação discursiva. Esse conceito se alinha com a ideia lacaniana de que o sujeito é constituído pela linguagem.
A convergência entre Lacan e Benveniste pode ser observada na forma como ambos conceituam a linguagem como constitutiva do sujeito. Lacan vê o sujeito como produzido pela entrada na ordem simbólica, um conceito que pode ser relacionado à maneira como Benveniste entende o "eu" como um efeito da linguagem. Ambos os teóricos compartilham a visão de que a subjetividade não é algo fixo ou pré-existente, mas algo que é continuamente formado e reformado através da linguagem e das interações discursivas.
Lacan argumenta que o desejo está sempre em falta e é articulado através do simbolismo e da linguagem. Benveniste, ao discutir a relação entre o sujeito e o discurso, oferece uma base para entender como o desejo pode ser manifestado e articulado no discurso, sugerindo que o desejo é uma construção discursiva que depende da posição do sujeito dentro do campo da linguagem. Lacan critica a noção benvenistiana de um sujeito consciente e autônomo, afirmando que o sujeito é sempre capturado pela rede do simbólico e está em um estado constante de divisão e conflito interno. Essa crítica ressalta uma diferença fundamental entre a teoria lacaniana e a linguística benvenistiana: enquanto Benveniste examina a formação do sujeito a partir da perspectiva discursiva, Lacan enfatiza a incompletude e a alienação do sujeito no campo do simbólico.