Friedrich Nietzsche
A noção de subjetividade em Lacan é complexa e se articula em torno do conceito de "sujeito do inconsciente". Para Lacan, o sujeito não é um eu autônomo, mas sim um efeito da linguagem, uma instância que se constitui na convergência entre o simbólico, o imaginário e o real. Lacan afirma que "o inconsciente é estruturado como uma linguagem" (Lacan), sugerindo que o sujeito é uma construção que emerge a partir das relações de significantes na linguagem. Nesse sentido, o sujeito lacaniano é marcado pela falta, uma vez que nunca é completo ou pleno.
Nietzsche, por sua vez, também questiona a concepção tradicional do sujeito, especialmente no que diz respeito à noção de um eu unificado e racional. Ele critica a ideia de uma essência fixa do sujeito, afirmando que o eu é uma multiplicidade de forças em constante conflito. Ele introduz a noção de vontade de poder , que pode ser compreendida como uma força primordial que move o ser humano, mas que não está ancorada em um sujeito centralizado. Assim como Lacan, Nietzsche vê o sujeito como uma construção, mas enquanto Lacan enfatiza o papel da linguagem, Nietzsche foca na dinâmica das forças e impulsos.
Outro ponto de convergência entre Lacan e Nietzsche é a maneira como ambos concebem o desejo. Para Lacan, o desejo é o motor da subjetividade, mas é um desejo que nunca pode ser plenamente satisfeito, porque está sempre vinculado a uma falta essencial, derivada da alienação do sujeito na linguagem. O conceito lacaniano de o objeto de desejo inatingível ilustra a natureza fundamentalmente insatisfeita do desejo humano (Lacan). O desejo, nesse sentido, é perpetuamente deslocado, sempre em busca de algo que nunca pode ser plenamente alcançado.
Nietzsche, por outro lado, problematiza a moralidade que reprime o desejo, especialmente a moralidade cristã, que ele considera como uma moralidade de escravos, baseada na negação da vida e na repressão dos instintos naturais.Nietzsche critica a moral ascética que reprime o desejo em nome de uma suposta pureza ou virtude. Para Nietzsche, a moralidade tradicional não reconhece a natureza afirmativa do desejo, que ele associa à vontade de poder uma força vital que deve ser afirmada e não negada.