O mindfulness e seu precário funcionamento.

 Hoje foi um dia particularmente reflexivo. Desde que cheguei à Irlanda para trabalhar como psicóloga em ambientes interculturais, tenho percebido a importância da minha formação e das minhas raízes brasileiras nesse contexto. O choque cultural é inevitável, tanto para mim quanto para os meus pacientes, e compreender esse dinamismo tem sido crucial para meu trabalho.

Primeiramente, a minha formação no Brasil me proporcionou uma visão holística e humanista da psicologia, que é profundamente enraizada na empatia e na compreensão das diversas facetas do ser humano. No Brasil, somos ensinados a valorizar a diversidade cultural e a abordar a psicologia de uma maneira que respeite e celebre essa diversidade. Este enfoque é extremamente útil aqui na Irlanda, onde a população é cada vez mais multicultural.


Um dos grandes desafios de trabalhar em um ambiente intercultural é a necessidade de empatia e sensibilidade cultural. Os imigrantes e expatriados que atendo muitas vezes enfrentam barreiras significativas, desde a língua até diferenças nos valores e normas sociais. A minha experiência no Brasil, um país conhecido pela sua diversidade étnica e cultural, me ensinou a ser flexível e a valorizar as diferentes perspectivas. Isso me ajuda a criar um espaço seguro onde meus pacientes se sentem compreendidos e respeitados.

Além disso, o Brasil é um país que enfrenta muitas adversidades econômicas e sociais, o que me ensinou a ser resiliente e adaptável. Essas qualidades são essenciais quando se trabalha em um contexto intercultural, onde as circunstâncias e os desafios podem mudar rapidamente. Minha capacidade de me adaptar e encontrar soluções criativas tem sido uma grande vantagem aqui na Irlanda, onde cada dia traz novas oportunidades de aprendizado e crescimento. Mas algo sempre me chamou atenção, como as práticas da psicólogia nas empresas da Irlanda parecem práticas que almejam o aprimoramento, mas esse aprimoramento é só uma ilusão do mercado mindulness. Infelizmente a saúde mental foi reduzida na Irlanda para técnicas rasas e sem objetivos do mindfulness .

A prática do mindfulness no ambiente corporativo tem ganhado popularidade como uma estratégia para aumentar o bem-estar dos funcionários e melhorar a produtividade. No entanto, apesar dos benefícios iniciais, sua eficácia pode diminuir ao longo do tempo, levando a uma percepção negativa entre os colaboradores. Este ensaio analisa por que o mindfulness pode ser benéfico apenas nos primeiros meses após sua implementação e por que ele pode se tornar problemático posteriormente, com base em literatura acadêmica e observações empíricas.


Nos primeiros meses de prática, o mindfulness pode proporcionar benefícios significativos. Estudos indicam que o mindfulness pode reduzir o estresse, melhorar a concentração e aumentar o bem-estar geral (Kabat-Zinn, 2003)-


Baer, 2000. “suggests that mindfulness-based interventions are clinically efficacious, but that better designed studies are now needed to substantiate the field and place it on a firm foundation for future growth. Her review suggests that interest in incorporating mindfulness into clinical interventions in medicine and psychology is growing. It is thus important that professionals understand some of the unique factors associated with the delivery of mindfulness-based interventions and the potential conceptual and practical pitfalls of not recognizing the features of this broadly unfamiliar landscape” 




A prática regular de mindfulness pode ajudar os funcionários a gerenciar melhor suas emoções e a lidar com a pressão do ambiente de trabalho, resultando em um aumento inicial na produtividade e satisfação no trabalho (Hülsheger et al., 2013)


Mindfulness describes a state of consciousness in which individuals attend to ongoing events and experiences in a receptive and non-judgmental way. The present research investigated the idea that mindfulness reduces emotional exhaustion and improves job satisfaction. The authors further suggest that these associations are mediated by the emotion regulation strategy of surface acting. Study 1 was a 5-day diary study with 219 employees and revealed that mindfulness negatively related to emotional exhaustion and positively related to job satisfaction at both the within- and the between-person levels. Both relationships were mediated by surface acting at both levels of analysis. Study 2 was an experimental field study, in which participants (N = 64) were randomly assigned to a self-training mindfulness intervention group or a control group. Results revealed that participants in the mindfulness intervention group experienced significantly less emotional exhaustion and more job satisfaction than participants in the control group. The causal effect of mindfulness self-training on emotional exhaustion was mediated by surface acting. Implications for using mindfulness and mindfulness training interventions in organizational research and practice are discussed in conclusion.


 


No entanto, com o passar do tempo, a eficácia do mindfulness tende a diminuir. Há várias razões para isso. Primeiro, a novidade da prática pode se desgastar, e os funcionários podem começar a ver o mindfulness como uma obrigação adicional em suas já ocupadas agendas de trabalho. Segundo, se as sessões de mindfulness não forem bem estruturadas ou se parecerem forçadas, podem ser vistas como uma perda de tempo, gerando resistência e frustração.


Além disso, a implementação do
mindfulness em ambientes corporativos muitas vezes não leva em conta as diferenças individuais dos funcionários. Nem todos respondem da mesma maneira às práticas de mindfulness, e forçar todos a participar pode causar desconforto e resistência . A expectativa de participação obrigatória pode ser percebida como uma forma de controle e uma invasão do tempo pessoal dos funcionários, levando a uma atitude negativa em relação ao programa.


A eficácia do mindfulness depende significativamente da forma como é introduzido e mantido na organização. Programas mal planejados e mal executados podem causar mais danos do que benefícios. Sessões que não consideram a carga de trabalho dos funcionários ou que são mal organizadas podem aumentar o estresse em vez de reduzi-lo. Além disso, a falta de treinamento adequado dos facilitadores pode resultar em sessões que não alcançam os objetivos desejados, reforçando a percepção de que são uma perda de tempo .


Embora o mindfulness possa oferecer benefícios substanciais nos primeiros meses de implementação, sua eficácia a longo prazo depende de uma série de fatores, incluindo a qualidade da implementação, a adaptação às necessidades individuais dos funcionários e a forma como é integrado no ambiente de trabalho. Para evitar que o mindfulness se torne uma fonte de frustração, é crucial que as empresas planejem cuidadosamente seus programas, assegurando que eles sejam vistos como um suporte genuíno ao bem-estar dos funcionários e não como uma imposição adicional. A consideração das perspectivas e feedback dos colaboradores é essencial para a sustentabilidade e sucesso a longo prazo das práticas de mindfulness no ambiente corporativo.


**Referências**


- Baer, R. A. (2000). Mindfulness training as a clinical intervention: A conceptual and empirical review. *Clinical Psychology: Science and Practice*, 10(2), 125-143.

- Chaskalson, M., & Hadley, S. (2015). Mindfulness in the workplace: An evidence-based approach to improving well-being and maximizing performance. *Hove: Pavilion Publishing and Media Limited*.

- Good, D. J., Lyddy, C. J., Glomb, T. M., Bono, J. E., Brown, K. W., Duffy, M. K., ... & Lazar, S. W. (2016). Contemplating mindfulness at work: An integrative review. *Journal of Management*, 42(1), 114-142.

- Hülsheger, U. R., Alberts, H. J. E. M., Feinholdt, A., & Lang, J. W. B. (2013). Benefits of mindfulness at work: The role of mindfulness in emotion regulation, emotional exhaustion, and job satisfaction. *Journal of Applied Psychology*, 98(2), 310.

- Hyland, P. K., Lee, R. A., & Mills, M. J. (2015). Mindfulness at work: A new approach to improving individual and organizational performance. *Industrial and Organizational Psychology*, 8(4), 576-602.

- Kabat-Zinn, J. (2003). Mindfulness-based interventions in context: Past, present, and future. *Clinical Psychology: Science and Practice*, 10(2), 144-156.


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